domingo, 30 de dezembro de 2007

Algo dentro de mim se debate.
Como uma fera enjaulada tentando libertar-se.
Toda vez que meu coração dispara,
Toda vez que me falta o fôlego,
Eu imagino
É agora...
Mas minhas crenças, meus dogmas, meus preconceitos,
Prendem-me aqui.
Por que permaneço?
Porque sou observada exatamente como uma fera enjaulada.
Olho os rostos que me admiram e grito:
Vocês não me conhecem,
Não sabem quem eu sou,
Tão pouco o que sinto.
Quem sabe quem eu sou?
Quem sabe o que sinto?
Somente eu...
Quem tem coragem de fixar o olhar em meus olhos?
Todos fogem...
Como se eu pudesse sugar a energia vital que os mantém.
Todos fogem...

Cinco Sentidos?

De olhos fechados, eu vejo mais
Eu enxergo mais.
Deparo-me com meus desejos frente a frente,
Ouço o que eles me pedem e os obedeço.
Suavemente meu corpo reage...
Na boca...
Na boca, sabores ainda não provados.
No ar um aroma,
Meu?
Seu?
Outro sentido aflora,
Visão do futuro inevitável.
E nos momentos seguintes... urgência
Abro os olhos e não vejo,
O corpo adormecido,
Não ouço minha voz.
Um grito mudo liberta o doce sabor de meu paladar.
E o aroma ...
Meu,
Seu,
Tornam-se um só perfume.
Então...
Novamente a realidade.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Nakai

Em meus braços meu filho adormecido.
Contemplo seu rostinho tentando inutilmente encontrar algum traço meu.
De repente sou arrancada desse estado de admiração, sentindo-me observada.
Levanto os olhos lentamente, eu sei em que direção olhar;
No meu íntimo eu sei o que vou encontrar.
Desesperadamente chego a rezar para que minha intuição não se confirme.
Quem você admira?
A mãe? A mulher?
Aproxima-se... Ele tem febre...
Coloca a mão sobre a fronte pousada em meu peito.
Sou eu quem sinto a suavidade do seu toque.
Eu tenho febre... Antítese
Quem sou agora?
A mãe? A mulher?
É a primeira vez que nossos olhares se encontram.
Inquietude.
Tanto por dizer e permanecemos calados.

Para o poeta que me deixou nua sem me despir, que me tocou sem jamais ter me tocado...

Vou contar-lhe a história de uma menina
De uma menina que sonhava em ser bailarina.
Vivia na ponta do pé, pela casa pulando
E assim se imaginava, em um palco dançando.
O amor que sentia pela dança
Era inexplicável para uma simples criança,
Que ao ouvir os clássicos acordes da música,
Via-se arrancada de sua vida lúdica.
Sentindo dentro de si tanta emoção,
Conhecendo assim pela primeira vez o que é paixão.
Muitos anos se passaram,
Muitas coisas mudaram.
Só não conseguiu mudar
A intensa paixão que carregava na alma,
Sofrendo por ter que alternar
Períodos de tormenta, com outros de calma.
Pensava que o sentimento se amezaria com a idade
Mas como fazer dormir um vulcão em atividade?
E por mais que tentasse em seu ser,
A mulher adulta encontrar
Sempre acabava por achar
A menina que insistia em não crescer.
Por sua vida passaram
Pessoas que a amaram e a adiaram.
Dentre elas alguém
Que um dia descobriu ter tanta paixão também.
E por mais que tentasse não conseguia
Saber o que é que os unia.
Nas linhas que esse alguém escrevia,
Muitas vezes a si mesma reconhecia.
E apesar de sentir-se desvendada por seu poeta,
Perto dele sentia apaziguada, sua alma inquieta.
Das diferenças que tinham uma era a idade
Mas sua grande semelhança era a intensidade.
A menina começou, sem querer
Sentir dentro de si um egoísmo a crescer.
Como poderia querer exclusividade?
Não sabia então, que tal sentimento condenaria sua amizade?
Resolveu então, à partir daquele dia se distanciar
Tirando de cena a menina, deixando a mulher entrar.
Numa tarde chuvosa,
Seu amigo lhe entrega um pacotinho rosa.
Desconcertada, ela abre bem devagar
E ao olhar o conteúdo sentiu-se paralizar.
Mais uma vez o poeta, sem saber o que havia feito
Arrancara um segredo do fundo de seu peito.
Devolvera para a mulher na caixinha pequenina
A alma da menina, da menina bailarina.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Não cala,
Fala
Diz se esse fogo
Pode ser vivido de novo
Com toda dor
Com todo ardor
Não reprime
Toca
Mostra sua fúria que exprime
Uma paixão tão brutal
Que choca
Faz de mim uma vadia
Uma meretriz
Uma outra atriz
No palco de sua vida vazia

Alegria indecente de tão explícita
Pensamento pequeno
Mente vazia
Intimamente
Ínfima mente
Sentimentos abertos
Alma fechada
Sonhos camuflados
Por fachadas severas
Risos reprimidos
Loucos, loucas, loucura
Realidade insana
Cachoeira de palavras mal elaboradas
Armas, línguas, lanças lancinantes
Povos primitivos...
Vaso de barro que cai...
E se quebra...

Como a um livro
Eu te leio
Eu te interpréto
Palavras, atitudes, emoções.
Sofro com você a cada linha.
Já me encontrei em seu olhar
Não quero sua alma,
A minha é semelhante à sua
Sofrida e insana.
Quero seu corpo, seu sexo
Quero comparar a sua loucura à minha
Descobrir em seu paladar meu próprio sabor
No odor de seu suor, meu perfume
E quando te sentir assim
Totalmente impregnado de mim
Saber definitivamente
Que deixei minha marca na sua história

Não coloque os cotovelos sobre a mesa
Deixe os guardanapos sobre o colo
Pegue os talheres de fora para dentro
Sirva pela direita
Retire pela esquerda
Disponha os copos de maneira correta
Não fale alto
Não olhe nos olhos
E agora princesinha?
Seu castelo ruiu
Seu príncipe virou sapo
O que fazer
Com tantos conhecimentos inúteis?

Diariamente
Eu observo
Fatos,
Pessoas...
Eu absorvo
Sentimentos,
Opiniões...
No final
Basta meu olhar de compaixão
Meu sorriso mais doce
Nem sempre verdadeiros,
Suficientes porém...
E novamente aquela sensação de impureza
Preciso de um banho.
Diariamente
Grande parte do que observo
Grande parte do que absorvo
Desce com a água
Ralo abaixo

Cansada,
De tudo, de todos, de mim mesma
Cansada
De acordar, de acordar, de acordar
Cansada,
Do meu reflexo, da minha voz
Todos os dias buscar,
Paciência, amizade, amor
Todos os dias fingir,
Não me importo, sou forte...
Não sou,
Sou frágil
E estou cansada